quarta-feira, 7 de novembro de 2018

TEXTO DO SR. IDO ORAÍDES




Alea jacta est: “A sorte está lançada”, disse César á margem do Rubicão, quando pretendia atravessá-lo e partir sobre a Rússia sem saber o que encontraria pela frente. Num legítimo polo no escuro, só sendo nosso velho conhecido “seja lá” o que Deus quiser e para manter a atitude de César rendeu a ópera 1812. E a frase passou a simbolizar o jogo, o imponderável.
Mas existem jogos de perícia, como o bilhar, o carteado, a corrida de cavalos e cachorros, não muito comum entre nós. E existem os jogos de risco, como os sorteios e loterias. A cinematográfica roleta dos cassinos é uma extensão das roletas medievais, guardadas nos porões dos castelos, sortear bolinhas numeradas e girando dentro de um globo e marcar esses números numa cartela é o que chamavam de bingo, que também com os nomes de tâmboa e víspora, conforme a região.
Não resta dúvida de que o bingo nas sextas-feiras é uma das mais concorridas atividades que o Lar Maria Madalena oferece aos idosos. Ali ...., e como terapia, o bingo é de muita valia porque promove a social convivência e a fraternidade podendo ser disputado por homens e mulheres em pé de igualdade e mesmo portadores de graves deficiências, como visão e audição, podem participar, porque alguém totalmente capaz pode ajuda-los para que possam ter a mesma chance que os outros... Sentindo menos essas mesmas deficiências. Mesmo sendo jogador calejado como sou ainda sinto vibração todas as vezes que participo.
Sou jogador calejado porque comecei muito cedo, no caso, nas corridas de cavalos, uma vez que meu pai era domador e compositor, mas, no Sul compositor não é o sujeito que faz música, mas sim aquele que prepara cavalos para correr. E eu, guri de pouco peso que me acomodava bem sobre o animal.
Não raramente pulava para cima de um cavalo e ia para a cancha trabalhar um parelheiro que meu pai preparava para corrida do Dia das Tradicionais “Pencas” do Rio Grande... Quando parei de ir para focar no futebol, onde pensava fazer carreira, pois já era registrado na Federação pelo Nacional Atlético Clube de Porto Alegre. Então, já em São Paulo e militando na imprensa, paralelamente lidava também com Turfe profissional, e num certo tempo de minha vida, fiz do jogo, isto é, das corridas, minha subsistência. Depois é que enveredei para o cinema, sendo diretor desde 1976.
Assim, tenho muito à ver com qualquer espécie de jogo e tenho um carinho todo especial pelo bingo, porque ele estabilizou a vida econômica da família. Assim, no ano do couraça  de 1995, meu filho então menor, trabalhava numa casa de calçados, em Taguatinga, no chamado Serviço Temporário, quando comprou um carnê de um tal “Bingão dos Importados”. Deu-se o sorteio e meu filho foi premiado com uma casa no Lago Sul de Brasília. Mas era uma casa muito grande, cercada de verde, uma infinidade de quartos e a água do lago chegando até a porta. Fomos de Taguatinga até lá, era uma distância muito grande, tendo de passar por uma daquelas pontes.
Glória, mãe de meus filhos, resolve por bem negociar a casa, por prover dinheiro e comprar uma casa mais simples e de mais simples revenda. Comprando e revendendo imóveis foi tendo a vida até conseguir a aposentadoria e comprou uma casa para viver com os filhos, enquanto eu continuava em São Paulo tocando minha vida no cinema e na imprensa, buscando um lugar ao sol.
Não foi fácil, mas cheguei a ser um profissional bastante conhecido nas duas atividades. Até que vim residir com a família em Taguatinga. Os filhos terminaram a faculdade, morando com a mãe...
Mas, voltemos ao bingo da casa... Toda sexta lá estou eu. E já fui premiado várias vezes com rádios portáteis, relógios, edredons e outros brindes menores. Como o Lar não oferece no seu bingo uma casa, no dia 24/07 ganhei três pares de meias e um lenço que uso.